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Eleições 2026: o que muda para o patrimônio da sua família

Com a eleição presidencial de 2026 decidida, a pergunta que fica para quem tem patrimônio é: o que muda a partir de 2027? No vídeo acima, gravado em 28 de outubro de 2026, comento as consequências patrimoniais e tributárias do resultado, sem entrar na discussão política.

São previsões. Alguns sinais já apareceram nos primeiros dias depois da eleição, mas nunca sabemos o que realmente acontecerá no futuro. A ideia é ajudar você a se preparar: antes de pensar em sucessão, é preciso cuidar do patrimônio e pagar o mínimo possível de imposto, dentro da lei.

Por que a conta vai chegar para todo mundo?

Em agosto de 2026, a dívida bruta do governo estava em 82,9% do PIB, cerca de R$ 11 trilhões. Essa conta precisa fechar, e quem paga é a população, por meio de impostos, juros ou inflação, independentemente de opção política.

É desse ponto de partida que saem as apostas abaixo.

O imposto sobre grandes fortunas vai sair do papel?

O Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) é um desejo antigo do atual governo. Desde o início de 2026 tramita na Câmara o PLP 5/2026, do deputado Pedro Uczai (PT/SC). Pela proposta:

  • o imposto alcança quem tem patrimônio líquido acima de R$ 10 milhões;
  • as alíquotas vão de 1% a 3% ao ano, conforme a faixa de patrimônio;
  • o cálculo é anual, sobre o patrimônio existente em 1º de janeiro de cada ano.

Não se sabe se o projeto será aprovado. Mas, em 2025, o STF reconheceu que o Congresso está em omissão por não ter criado o imposto e determinou que ele seja aprovado, ainda que sem fixar prazo. Somada à necessidade de arrecadar, essa decisão faz do IGF uma das principais apostas para 2027.

A Receita vai fiscalizar mais os aluguéis?

A tendência é que sim. Os sistemas da Receita Federal já cruzam muitos dados, e o avanço da inteligência artificial deve tornar esse cruzamento ainda mais fácil.

Os aluguéis são um alvo natural. Segundo um estudo de 2026 da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), 85% dos aluguéis residenciais do país não são declarados (79% nas capitais), o que corresponde a cerca de R$ 65 bilhões por ano de renda omitida.

Ao mesmo tempo, entra em funcionamento o Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), conhecido como “CPF do imóvel”, que faz parte do Sinter. Cartórios, registros de imóveis e prefeituras passam a alimentar esse cadastro, e com mais informação fica mais fácil para a Receita encontrar aluguel não declarado.

E o IRPF mínimo sobre dividendos?

É o outro alvo provável. A arrecadação do imposto de renda mínimo da alta renda ficou muito abaixo do esperado: a previsão, que já tinha sido revisada de R$ 28 bilhões para R$ 17,2 bilhões, contrasta com cerca de R$ 3 bilhões arrecadados até julho de 2026.

Há três explicações possíveis. Muita gente criou holdings para não levar os dividendos para a pessoa física. Parte das empresas ainda distribui lucros antigos, aprovados em ata antes da mudança. Ou há quem esteja fugindo do imposto pagando despesas pessoais com dinheiro da empresa. A minha aposta é que a terceira explicação pesa mais.

Esse último caminho é arriscado, e o barato pode sair caro. Pagar pela empresa o cartão de crédito pessoal, a escola dos filhos ou viagens da família pode ser enquadrado como distribuição disfarçada de lucros. Nesses casos, a autuação costuma ser pesada: os valores podem ser tratados como pró-labore, com cobrança de INSS, autuação do sócio e também da empresa, por não ter feito a retenção do imposto.

Além de fiscalizar mais, o governo pode endurecer a regra, por exemplo aumentando a alíquota ou reduzindo o limite de lucros distribuídos sem retenção. O IRPF mínimo alcança muita gente, principalmente empresários.

O que esperar do mercado imobiliário?

Dois fatores pesam contra. O primeiro são os juros. Com mais dívida para bancar os gastos prometidos na campanha, a queda da Selic tende a demorar mais, e os juros podem até voltar a subir. Os juros futuros já subiram logo depois da eleição.

O segundo é a reforma tributária. A partir de 2027, a CBS, um dos novos tributos sobre consumo ao lado do IBS, passa a ser cobrada sobre os aluguéis. Ela substitui o PIS e a Cofins, que não incidiam sobre aluguel e venda de imóveis, então é um custo novo para quem aluga.

No dia em que o vídeo foi gravado, saiu a notícia de que a alíquota da CBS deve ficar em 11,35%, acima do que se esperava. Com isso, a alíquota total do IVA (CBS mais IBS), que vinha sendo estimada em torno de 28%, pode chegar perto de 30%. Pessoas físicas também podem passar a pagar IBS e CBS sobre aluguéis quando a receita anual passar de R$ 240 mil, valor corrigido pelo IPCA.

O resultado provável é crédito imobiliário mais caro, menos famílias comprando e menos lançamentos. Com mais gente procurando imóvel para alugar e a oferta parada, a tendência é de aluguéis subindo acima da inflação.

Em poucas palavras

  • A dívida pública, de cerca de R$ 11 trilhões, vai exigir mais arrecadação.
  • O imposto sobre grandes fortunas (PLP 5/2026) é uma das apostas para 2027.
  • Aluguéis não declarados e o IRPF mínimo devem ser os focos da fiscalização.
  • Pagar despesas pessoais pela empresa pode gerar autuações pesadas.
  • Juros altos e a CBS sobre aluguéis tendem a encarecer o crédito e os aluguéis.

Lembrando: são previsões, não certezas. Não sou economista, e pode ser que nada disso aconteça.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise do caso concreto por um profissional.

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